11/11/2011

Jogos de (in)visibilidade no Facebook e no Twitter

Em 24/11, no evento Sociotramas (clique para saber mais), apresentarei o artigo Jogos de (in)visibilidade e performance hiperespetacular em redes sociais digitais.

O artigo parte da compreensão de que a naturalização da prática da autoexposição nas redes sociais digitais está associada ao desejo de apareSer (DAL BELLO, 2009), generalizado e preponderante graças à introjeção paulatina do modelo sinóptico (BAUMAN) de visibilidade/vigilância, depositário da sociedade do espetáculo e da cultura dos meios de comunicação de massa. A celebração daqueles que “estão na mídia” em detrimento dos que não estão contribuiu para a instituição de novos modelos e valores de legitimação da existência individual – uma dinâmica agonística (conforme Trivinho, 2010, haja vista que a escassez de espaços e tempos de visibilidade mediática tornam-nos objetos de disputa) revestidos pela lúdica do mimicry (já que não é possível “estar na mídia” sem deixar de “representar” a si mesmo). [1]

Se a rápida popularização das plataformas ciberculturais deve-se antes a sua capacidade de projeção subjetiva que propriamente por propiciar o relacionamento interpessoal, sendo este arregimentado como estratégia de composição de audiências (DAL BELLO, 2009),  o alargamento das possibilidades de inserção mediática não eliminou o fato de que mesmo na instância do digital há espaços e tempos de exibição privilegiados e concorridos, ao passo que também se amplificaram as possibilidades de vigilância (SANTAELLA, 2010, p. 153-181). É nesta tênue fronteira entre o desejo de ser visto e o medo de ser vigiado que ocorrem os jogos de (in)visibilidade e performance hiperespetacular abordados por este artigo.

Conto com a presença de vocês!


[1] Os termos agon e mimicry são tomados na acepção que lhes confere Caillois (1990). A indicação de que a disputa pelo estreito foco de visibilidade ocorre sob a tônica agonística foi feita por Trivinho (2010).

2 comentários:

João Baptista Lago disse...

O desejo de apareSer terminaria se convertendo em ato de meramente existir? Assim: quem na rede possui reputação de fato, tuita e facebuca muito, muito pouco. Umas três tuitadinhas diárias e já consegue aquela montoeira de RTs. Já quem, no twitter ou FB berra demais, na prática termina denunciando a própria condição de meramente existir e não a de ser, no mundo. Não que essa enxurrada de tuitadas e facebucadas diárias, não tenha sentido e valor. Tem sim, porém en quanto algo que é reafirmador da ordem, de um modo especular: nessa trama imensa de milhões que ficam "berrando" diariamente em grande volume, o que temos são trilhões de atos diariamente confirmando a ordem estabelecida, pois o conteúdo é de manutenção do status-quo da realidade e não, algo realmente singular. Como se disséssemos ao panóptico coletivo: "olha como sou high-tech, olha como sou cool, olha como sou antenado", et caetera. E recebemos através das imagens refletidas por esse panóptico especular, composto pelos nossos adds, a resposta confirmatória "sim, és realmente isso". Mas isso, o quê? Bem isso mesmo: subjetividades nada singulares, replicadoras da ordem existente e a 1 milhão de anos-luz, do super-homem nitzscheano, escravos e não nobres. Isso não é nada gostoso, pois despotencializa: faz do conteúdo dos SRSs uma repetição permanente; e, se a vida é movimento e a morte ausência de movimento, a repetição é fatal pois repetir jamais sair do mesmo lugar, pois rodamos em círculos: "movimento" que não espelha a vida mas, longe disso, a morte em vida. Que se reflete na mesmisse de milhões de tuitadas e facebucadas tão parecidinhas umas com as outras e que não contêm a magia, o dom de despertar o élan vital. A Internet é alienante, então? Nem sim nem não: ela é humana e os SRSs refletem o ser humano e nossa sociedade. Refletem a estagnação (dissimulada em seu oposto), assim como podem ser usados de modo criativo e, portanto, libertador.

Paula Ugalde disse...

Olá,
Interessante estas ideia do desejo de "apareSer" egóico X medo das possibilidades de vigilância. Muito a pensar. Desejaria participar do evento. Desde já, meus desejos de sucesso, muitas construções e aprendizagens legais!
Comento que não entendo porque tais não são oferecidos também online. Tantos que participariam...

O comentário sobre os que 'berram' como chama, instigou pensares, porque observo que algumas pessoas de reputação twittam bastante e quase diariamente [e em momentos específicos do dia], são lidas, e ganham RTs...Percebo panópticos especulares reafirmando sua posição nisso... e parece que é o que inúmeros desejam e apreciam?!
Gosto dessa percepção porque procuro conteúdo com essência mas as vezes isso parece desviante, na ciberpólis?!
[ ]'s :)

Recent Posts