16/11/2011

O que se pesquisa no campo da Cibercultura?

V ABCiber - Florianópolis, UFSC - 16 de novembro
Palestra de abertura do Prof. Dr. Eugênio Trivinho, presidente da ABCiber

Eugênio Trivinho tratou, em sua palestra, do desenvolvimento e do futuro da ABCiber, que apesar de ter completado 5 anos de existência institucional em 27 de setembro de 2011, deve sua origem às atividades do Centro de Pesquisas sobre Novas TEcnologias, Comunicação e Cultura da USP (hoje conhecido como FiloCom), coordenadas pelo Prof. Dr. Ciro Marcondes Filho, e das quais participou entre 1993 e 1994. Em 1996, no V Encontro Nacional da Compós, foi implementado o GT Comunicação e Sociedade Tecnológica, que atraiu e nucleou um número significativo de pesquisadores da área. 
A Associação foi fundada em 2006, no I Simpósio Nacional de Cibercultura (25 a 27 de setembro), organizado na PUC-SP com apoio do Grupo de Pesquisa CENCIB e do grupo de trabalho da Compós Comunicação e Cibercultura; antes disso, em evento da PUCRS, surge o embrião mais formal do que viria a se tornar a Associação, sob as nomenclaturas provisórias de Instituto de Estudos e Pesquisas Avançadas de Cibercultura e, então, Sociedade Brasileira de Cibercultura.
No I Simpósio, houve uma plenária especial, do qual participaram diversos pesquisadores, de vários estados e vários Programas de Pós-Graduação, que fundou, democraticamente, palavra a palavra, a nomenclatura atual: Associação Brasileira de Pesquisadores de Cibercultura. No 1º semestre de 2007, foi fixada a sigla ABCiber.
Nos cinco anos mais institucionalizados da ABCiber, as conquistas foram imensas, dentre elas a realização de 5 assembleias gerais, chancela de vários órgãos, públicos e privados, inclusive CAPES e Itau Cultural, divulgação de duas notas públicas sobre liberdade na Internet, colaboração com o Comitê Gestor da Internet no Brasil, publicação de dois e-books online (com dezenas de textos de referência a partir dos dois primeiros simpósios), estabelecimento de parcerias internacionais e a realização da sessão temática de Cibercultura do I COMFIBERCOM, em 2011. A expansão do quadro de associados (em torno de 200), com 40 associados elegíveis, também é digna de nota.
Depois de 5 anos de trabalho de nucleação e articulação nacional de tudo o que se tem chamado de Cibercultura, Trivinho assevera que o campo ainda é, realmente, válido e atual, podendo perdurar por mais tempo. Essa nomenclatura e conceito é capaz de acolher, de modo satisfatório, a variedade de estudos sobre redes digitais e interativas.
Conforme Trivinho: "Eu acredito que se trate de um campo cognitivo, até certo ponto bem recortado pelo ângulo de suas temáticas trabalhadas. Mas também um campo poroso, flexível, volátil ou volúvel, multi ou transdisciplinar, muito diverso internamente e, por isso, difícil de ser apreendido em uma síntese unitária".
O campo da Cibercultura tem muitos eixos temáticos e diversos objetos, vários com vida muito curta, o que talvez determine sua riqueza.  Segundo Trivinho: "Este campo cognitivo tem suas tendências predominantes, marcadas pela moda, e objetos rebeldes que escapam dos esforços de entendimento. Essas tendências recobrem a reconfiguração audiovisual legados pelo século XX, as linguagens emergentes, os estudos sobre comportamento, sociabilidade e alteridade virtuais (sobre a identidade), as tecnologias móveis, mobilidade, ciberativismo, mídia-livre, governança, governabilidade, participação política, redes sociais, inclusão digital, blogs e blogofera, estética e arte digital, games e entretenimento virtual, metodologia empírica de pesquisa no universo cibercultural. É multidisciplinar". Entretanto, como lembra o professor, dentre as tendências comparecem muito poucas pesquisas de teor crítico sobre o capitalismo virtualizado e cognitivo contemporâneo.
Como conjunto de perspectivas, Trivinho assinala a intensificação da internacionalização acadêmica e cultural, a continuidade e amplificação de sua participação política sobre a res cibercultural e tecnológica, a continuidade da discussão sobre a influência na tabela de área de conhecimento das agências de fomento, CAPES, CNPq e NEPs; o desenvolvimento da coleção ABCiber de textos de cultura digital (publicação de ebooks digitais); a implementação da curadoria de obras digitais (poéticas digitais), iniciada na gestão de 2007-2011; a ampliação do número de associados efetivos, alterando-se a configuração política interna em prol de sua renovação;  a reconfiguração gráfica e hipertextual de seu site institucional.
Para encerrar, Trivinho assinalou que a ABCiber é um projeto para o Brasil com abertura internacional. E veio para permanecer por gerações a fio. Está devotada a cumprir um papel intelectual e cultural importantíssimo para as próximas gerações. Incentiva cada vez mais a produção científica e intelectual no País. Atua politicamente, dando a face para bater, no embate público no contexto de discussão no que tange à res digital. Hoje, a ABCiber é uma referência sobre pesquisas, procurada pela imprensa e evocada como representante do setor acadêmico pelo Comitê Gestor de Internet no Brasil.
Trivinho, presidente nas duas diretorias fundadoras, sempre projetou uma ABCiber politicamente atuante e intelectualmente produtiva, mais crítica e tensional em relação à realidade da exclusão, contribuindo para nos explicar que mundo é esse. Vencidos os desafios iniciais, a ABCiber com certeza está pronta para enfrentar outros, diferentes.
Ao término, Trivinho apresentou três PLOTs (nuvens de palavras-chave) relativos às temáticas abordadas nos eventos da ABCiber (2008 a 2010);









AbCiber (2011)











e Intercom (2006 a 2011).

Em todos, prevalece como principal palavra-chave o termo Cibercultura.
[O levantamento de dados foi feito por Cristina Palhares, André Kishi e André Fogliano, do Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP).

1 comentários:

Ariano disse...

Adorei! Muito obrigado por compartilhar.

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