03/01/2012

Como desapareSer do Facebook

Após escolher e trocar por diversas vezes sua foto de identificação... e esperar minutos infindáveis para realizar o upload de álbuns e mais álbuns de fotos... e adicionar amigos, procurar pessoas, enviar convites, participar de grupos, curtir páginas e postagens... e rir, chorar, esbravejar, compartilhar pensamentos de profundidade platônica e piadas infames... Você decide sair do Facebook.

A experiência brasileira com o Orkut batizou o ato tresloucado de cancelamento do perfil de "orkuticídio". Comunidades virtuais dentro da plataforma foram erigidas para tratar do tema (Já pensei em fazer Orkuticídio, Vida após o Orkuticídio, Diga não ao Orkuticídio, Vou cometer Orkuticídio). Conforme trato na minha Dissertação de Mestrado (2009), a radical congruência entre identidade e perfil contém inevitavelmente a problemática da morte: por um lado, usuários arrependidos assassinam seus espectros ao excluir os perfis - o que ganha um certo contorno de suicídio; por outro, perfis "desencarnados" permanecem à revelia tal como fantasmas nos casos em que ocorre a morte "real", "física", de seus proprietários. Se interessar, recomendo a leitura do artigo Imagos virtuais: imagem, morte e eternidade em plataformas ciberespaciais de relacionamento (2008).

O texto de apresentação da comunidade Orkuticídio é coisa de idiota deixa claro, entretanto, o que acabava acontecendo com aqueles que haviam deletado suas contas: "Algum tempo depois o(a) idiota se arrepende do que fez, cria uma nova conta no Orkut e perde o maior tempo tentando reunir seus amigos de volta. Tá vendo, idiota? Se tinha cansado do Orkut prq não ficou alguns dias sem postar no Orkut ao invés de deletar sua conta?" (jan. 2009).

Sem dúvida nenhuma, de lá para cá, muita coisa mudou. A "idiotice" de cancelar a conta esbarra numa série de mecanismos de segurança para evitar tal "loucura".

Veja só: caso você decida deletar o seu perfil no Facebook apesar de todo o trabalho que teve para organizá-lo... Irá se deparar com isso:


Desativar a conta é sinônimo de "desabilitar seu perfil e remover seu nome e foto de todo o conteúdo que você compartilhou no Facebook".

Entretanto... Cris sentirá minha falta, Wesley sentirá minha falta, Marcelo sentirá minha falta, Ricardo sentirá minha falta e a Sandra também. Posso até enviar uma mensagem (de despedida?) para eles, pois abaixo de cada imagem há um link que facilita minha vida (ou morte). Neste momento, as lágrimas chegam aos olhos, a mão (ou o dedo indicador) tremula sobre o mouse. "ApareSer ou desapareSer? Eis a questão!".

Mas, abaixo desse sentimentalismo barato, é preciso ainda responder a uma enquete obrigatória que me inunda de racionalidade. Por que, afinal, quero sair do Facebook? As opções padrão são: isto é temporário, voltarei; minha conta foi invadida; não acho que o face seja útil; não me sinto seguro no face; gasto muito tempo por aqui; possuo outra conta; tenho preocupação quanto à privacidade; não sei usar a plataforma!; recebo muitos e-mails, convites e solicitações do face; outro.


É possível explicar melhor os motivos da saída e, caso o usuário seja administrador de algum grupo, deixar as "coisas em ordem" antes de partir.

O mais interessante, entretanto, é que o usuário que desativa a conta pode ativá-la posteriormente, retornando para o Facebook com todo o seu "patrimônio" intacto. A retirada da plataforma não implica mais a fatalidade de um assassinato-suicídio. E, tal como Lázaros adormecidos, eis que podemos retornar à vida virtual, descansados dos possíveis problemas que nos afligiam (tédio, medo, ciúmes) quando tomamos a tresloucada decisão de partir.

2 comentários:

simone barbosa disse...

oi,vc naum me conhece, me chamo simone.entrei no seu blog e naum acreditei no q vi.estava lá a foto do meu ex namorado. eu naum o via há 12 anos. tinha curiosidade em saber como estava,e pelo jeito está muito bem.ele é sidney marcus dos santos e estava na foto como um dos palestrantes.me desculpa invadir assim é que realmente foi uma surpresa enorme para mim.
simoneboliveira@ig.com.br

Cíntia Dal Bello disse...

A internet tem dessas coisas mesmo! Quando menos imaginamos, "topamos" com alguém que pensavamos que nunca mais encontraríamos!

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